NO CONTEXTO da Segunda Guerra, é interessante ou mesmo curioso o caso de Luthero Sarmanho Vargas. Luthero era o segundo filho de Getúlio Dornelles Vargas e Darcy Sarmanho Vargas. Alzira Vargas do Amaral Peixoto era a mais velha dos cinco filhos do casal Vargas. Jandira Sarmanho Vargas, Manuel Sarmanho Vargas e Getúlio Vargas Filho compunham o restante da prole.
A história do 2º tenente-médico Vargas, que, mesmo sendo filho de um presidente, se viu enfurnado numa guerra distante, mal comparando, assemelha-se à dos personagens dos antigos filmes sobre a Legião Estrangeira, a legendária unidade de elite francesa. Na realidade, antes de seguir para a Alemanha, Luthero esteve na França, para aperfeiçoamento da ciência médica. Tendo eclodido a Guerra em 1º de setembro de 1939, quando Luthero já se encontrava em solo alemão, e intuindo que em breve a França declararia guerra aos alemães, o brasileiro escreveu para Orlando Meringolo. Pedia ao amigo que sondasse a possibilidade de ele, Luthero, ser admitido num hospital francês, pois pretendia praticar a cirurgia de guerra. Depois de alguns dias, Meringolo respondeu que, em situação de guerra, os franceses não aceitavam médicos estrangeiros em seus hospitais militares. Diante dessa impossibilidade, resolveu ficar por mais tempo na Alemanha de Hitler. Tinha ele uma boa razão para se estender em Berlin.
A comparação com a Legião Estrangeira não chega a ser um exagero. Talvez inspirado no exemplo de Bruno Mussolini, já se alojava desde então, portanto, na alma de Luthero a vocação para as guerras, embora não diretamente como combatente e sim como médico, salvando e não matando homens. Se o filho do líder italiano era militar, ele, que era filho de Getúlio Vargas, também poderia ser um.
Voltando ao tema da Legião Estrangeira.
Alguns filmes de antigamente apresentavam como enredo homens que, tendo o coração atingido em cheio pela flecha da desilusão amorosa, ofereciam-se como voluntários para servir naquela corporação francesa, numa forma romântica e radical de esquecer a mulher amada e, ao mesmo tempo, punir-se pelo amor não correspondido. Assim, ocupavam-se, não importando a tocaia da morte.

Era o ano de 1939, uma época em que o Brasil estava longe de declarar guerra aos país do Eixo; ao contrário, mantinha discreto flerte com os teutônicos, dos quais o Ministério da Guerra importava armamento para o Exército Brasileiro. Nesse ano, o médico Luthero Sarmanho Vargas, para a prática como cirurgião ortopedista e de olho nas lindas berlinenses, passava uma temporada na Alemanha, permanecendo lá por nove meses. Chegou a Berlin em 20 de abril, coincidentemente a data em que Adolf Hitler completava cinquenta anos de idade. Foi nesse país e ainda nesse ano que doutor Luthero Vargas conheceu Ingeborg ten Haeff, 24 anos, uma linda alemã nascida em Dusseldorf, por cuja beleza e temperamento em pouco tempo se apaixonou. No ano seguinte, trouxe-a para o Brasil. O casamento foi a 20 de setembro de 1940 em cerimônia privada no Palácio Guanabara. Getúlio não aprovou o casório.
L.s.N.S.J.C.!
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