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IDENTIFICAR o ponto fraco de uma autoridade ou de um governo é o caminho mais fácil para a CIA atingir os nefastos objetivos do País Sem Nome.

Num curto espaço de tempo, três líderes populares (apenas um deles do campo ideológico de esquerda) morreram – ou foram mortos: Juscelino Kubistchek em agosto de 1976, acidente de carro na Via Dutra; João Goular, o Jango, em dezembro de 1976, infarto; e Carlos Lacerda em maio de 1977, infecção generalizada.

Descobriu-se depois uma famigerada Operação Condor, orquestrada pela CIA e suas filiais, a fim de eliminar líderes políticos carismáticos em países da América do Sul. A América para os americanos, já dizia Monroe em 1823.


No âmbito da Operação Condor, quais as vulnerabilidades de Juscelino? E as de Jango? Sabe-se que ambos tinham amante. Não sei as circunstâncias da morte de Jango, que também padecia de problemas cardíacos e que, por isso, suspeita-se de que tenha sido envenenado. Mas um suposto telefonema da amante de JK o atraíu para o Rio de Janeiro naquele 22 de agosto de 1976. Como não dirigia, convocou seu amigo e ex-motorista, a quem tinha presenteado com um Opala, para conduzi-lo pela Via Dutra.

As suspeitas (quase certezas) de que seu motorista tenha sido atingido com um tiro, o que ocasionou o acidente rodoviário, têm suas evidências: a) o caixão de Geraldo Ribeiro, seu amigo e motorista, estava lacrado, e agentes do Exército guardavam o esquife; b) porém, o caixão de JK, que era a celebridade, estava aberto; c) antes, haviam espalhado o boato de que JK morrera. Duas perguntas: 1) por que o caixão do motorista estava lacrado e acompanhado de agentes do Exército, se se tratava de um anônimo? 2) com que finalidade o boato da morte de JK? Respondo eu: 1) o rosto de Ribeiro estava deformado pelo disparo; 2) sondarem como a população brasileira reagiria à morte de um líder carismático.

Buscar o ponto fraco de uma instituição ou de alguém também ocorreu no âmbito da maior farsa do século 20: o episódio de Tonelero. Aí, como amplamente esclareço em meu livro, havia a necessidade de um cadáver fardado (o do major Rubens Vaz) para, a partir de intensa comoção social, apear do poder o maior líder popular de então, Getúlio Vargas. O outro líder, que superou o caudilho gaúcho, é o nordestino Luís Inácio. Mas em Tonelero, o jeito mais fácil de se conseguir o intento foi se infiltrarem na guarda pessoal de GV, que era um balaio de gatos com gente sub-letrada de toda ordem, incluindo homens indicados por contraventores e pelo miliciano da época, Tenório Cavalcante, deputado pela UDN, a mesma de Carlos Frederico de Werneck Lacerda. O curioso é que, na mesma tramoia em que se envolveu a guarda de Gregório Fortunato, a ideia era achar um ponto fraco de Lacerda, com o fim de silenciá-lo em suas críticas ácidas contra GV e família. Uma amante, quem sabe. Na madrugada de 5 de agosto, dona Letícia Lacerda tinha viajado e Lacerda estava solteiro; era a ocasião mais propícia. Ocorre que a CIA, juntamente com Eduardo Gomes, o brigadeiro, já haviam pensado em tudo, antecipando-se às intenções de Fortunato, na verdade manipulado por Luthero e Bejo Vargas, alguns deputados, além de pelo general Mendes de Morais. Todos eles tinham interesse no silêncio de Lacerda. O feitiço virou contra o feiticeiro.


A maior farsa do século 21 foi a que ocorreu em 6 de setembro de 2018, em Minas Gerais. Quem poderia ser usado naquela encenação se não alguém com problemas mentais? Mas esta história ainda vai ser passado a limpo – não sei estarei vivo para ver.


A eliminação desses líderes pela chamada Operação Condor tinha como escopo preparar o terreno para a tal redemocratização, com a abertura ampla, lenta e gradual.
Um pouco disso está em meu livro “O País dos Militares e dos Bacharéis”, mas pretendo ainda esmiuçar noutro livro que seria “Rua Tonelero, 180: a maior farsa política do século 20”.

L.s.N.S.J.C.!

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